A longevidade é o novo Eldorado? 1

Por : Aguineri Publicado em 9 de dezembro de 2019 Artigos

A Longevidade é o novo Eldorado?
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Aguinaldo Neri

Para quem, como eu, começou a trabalhar com aposentados, no século passado, é uma alegria ver a quantidade de profissionais atualmente interessados neste segmento da sociedade. Fico feliz com esta “descoberta”, mas continuo observando as tendências e com muita vontade de discutir premissas e fundamentos para a atenção ao envelhecimento dos trabalhadores e da sociedade. Um fenômeno de dimensões previsíveis, mas que provoca surpresas a cada dia.
Ousarei tomar a liberdade que considero que tenho para listar algumas observações sobre o que vejo acontecer diariamente. Confesso que, às vezes, fico impressionado com a quantidade de ações, cursos, promoções, eventos etc. voltados para este segmento da população. A maioria, inovadoras e muito criativas.
Uma primeira observação que gostaria de fazer: para trabalhar com pessoas com muita história é preciso respeitar a história. Pelas mentorias que ofereço para profissionais que começam a trabalhar com este segmento, percebo alguns que acham que “descobriram o ouro”. Eu costumo respeitar e agradecer muito a quem se esforçou para abrir trilhas pelas quais eu ando hoje. Vou listar alguns destes feitos e algumas ousadias, de forma absolutamente pessoal e sem compromissos com todos os atores desta epopeia. Uso o termo epopeia para registrar que nem sempre foi fácil oferecer atenção ao segmento de pessoas mais velhas ou aposentadas no Brasil. Falar para pessoas mais velhas num país que era considerado “de jovens” não era muito fácil. Hoje, a gangorra está quase mudando de lado e, dentro de algumas décadas, viveremos num país de adultos.
Antes de resgatar parte da história do tema (não esperem mais do que isso neste texto, por favor) quero listar algumas conclusões minhas , sobre o envelhecimento da população:
NÓS SOMOS OS NOVOS VELHOS!
Quem não o é, um dia será! Envelhecer é como “fogo morro acima” ou “água morro abaixo”. O que muda é a forma de envelhecimento.
1. Viveremos mais do que os nossos pais e nem sempre repetiremos o modelo com o qual convivemos por décadas. Precisamos aprender a envelhecer de uma forma diferente do que a que vimos.
2. As famílias precisarão aprender a conviver com três ou mais gerações, em harmonia. A multigeracionalidade será padrão tanto nas famílias como em todas as outras instâncias da vida moderna.
3. A sociedade precisará se acostumar com a nossa independência e poder, de forma geral. Queremos autonomia, sustentabilidade e liberdade, o que deverá provocar choques entre padrões culturais. A economia da longevidade veio mostrar que temos muito poder econômico na sociedade. Poder econômico é um dos mais impactantes na atualidade.
4. Todos os esquemas de vida relacionados com idade precisarão ser reajustados. Idade para casar-se, trabalhar, ter filhos e se aposentar começam a ser alvo de discussões. Afinal de contas, se você tem chances de viver até os 100 anos, por qual motivo parar de trabalhar aos 50? Casar-se aos 18? Ter filhos aos 20? Será que ainda existirá algo chamado “aposentadoria” para os jovens que estão entrando no trabalho hoje?
5. Precisamos redefinir os conceitos de envelhecimento para renovar padrões, critérios e modelos de referência. Padrões médicos, políticos, jurídicos, sociais, estéticos, comportamentais, dentre outros. Tendo começado a trabalhar para preparar pessoas para a transição da aposentadoria, hoje ajudo pessoas a decidir entre “aposentar-se ou reinventar a própria vida”. Um privilégio desconhecido no século em que comecei a trabalhar com este tema. No meu serviço de Revisão de Projeto de Vida, que ofereço a pessoas no “furacão” da decisão de aposentar-se, percebo que a disposição de mudar e assumir novas atitudes e padrões de comportamento é facilitada quando percebem que podem usar outros referenciais de idade e envelhecimento, além do que lhes foram impostos pela cultura, propaganda , educação e mídia. Precisamos mudar o conceito de envelhecimento, o que mudará naturalmente, o de aposentadoria.
Continuarei as registrar minhas percepções e a registrá-las numa sequência para este artigo.
Aguinaldo Neri

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