A longevidade é o novo Eldorado ? III

Por : Aguineri Publicado em 28 de março de 2020 Envelhecimento bem sucedido

A longevidade é o novo Eldorado? III

A longevidade é o novo Eldorado? III

Aguinaldo Neri

Rápida troca de cenário. As cores, músicas, roupas e sorrisos que se tornavam símbolo de uma mudança nunca vista na humanidade se retraem para atrás das cortinas, e vão esperar penosas semanas para saber como e quando poderão voltar a nos alegrar. Milhões de pessoas na fase avançada da vida estão em estado de expectativa.
A pandemia do Corona vírus pode funcionar como um “freio de arrumação” neste momento tão importante para um segmento crescente e em fase de reinvenção social e pessoal.
Eu sou deste grupo, com muito orgulho. Orgulho alicerçado por muito esforço, sonhos e amor à vida, à família, aos amigos e ao trabalho.
Somos grandes consumidores, profissionais valorizados, artistas insubstituíveis, profissionais, líderes, amigos, amantes e amantes da dança e do vinho. Sustentamos alguns segmentos de negócio neste país, como por exemplo o Turismo. Estamos nos reinventando e buscando um novo conceito para a palavra envelhecimento. Milhões de pessoas neste projeto mundial.
Mas….jornais, políticos e mídia mundial não se cansam de dar destaque para o número de idosos que estão dentre os que não conseguiram sobreviver a esta peste do século XXI. Poveri nonni, como dizem na Itália (abstenho-me de citar frases ditas no meu país, por pessoas influentes, mas desinformadas).
Vai passar, como todas as crises e pestes passaram. Mas, no pós Corona vírus precisaremos redobrar a nossa motivação para desconstruir o conceito e modelo de velhice que vigora hoje, substituindo-o por um conceito mais real e sustentável.
Além de consumidores de carros zero, passeadores no mundo, sustentáculos de empresas de produtos “antiaging” e de planos de saúde, dependentes das indústrias farmacêuticas, de roupas, dança e teatro somos, também, os inquilinos do maior número de leitos nos hospitais. Agora, integrantes do grupo de maior risco frente ao novo vírus que ameaça o mundo.
Com exemplos de vida, este segmento está derrubando preconceitos e estereótipos negativos milenares e contribuindo para o estabelecimento de novos. Em parte bons para os idosos, segundo Palmore eles podem ser também ruins, quando contribuem para a instalação de falsas crenças e expectativas quanto às possibilidades preservadas e otimizáreis de viver bem a velhice.
O Psicólogo alemão Paul Baltes observa que o envelhecimento humano se dá por uma relação dialética entre perdas e ganhos. A busca deste equilíbrio é que deve ser o caminho saudável. Potencializar os ganhos e administrar realisticamente as perdas deve ser o caminho da longevidade. Força e fragilidade precisam ser equilibradas para que possamos pensar num processo de geratividade sustentável.
Ponderação, ciência e vontade de mudar seriam alguns dos pilares para uma era pós pandemia quando precisaremos nos reencontrar em relação ao que podemos pensar e esperar dos idosos.
Agora é hora de cuidarmos de nós e dos outros. Não vou escrever nada conclusivo sobre os mais velhos, pois as estatísticas ainda estão sendo postas e serão analisadas posteriormente. As primeiras análises nos levam a crer que a agressividade do vírus potencializa multimorbidades já existentes. Aparentemente não é uma relação direta com um evento humano chamado envelhecer, sobre o qual a humanidade ainda tem muito o que aprender.
Aguinaldo Neri
www.senioridade.com.br
Décimo quarto dia da quarentena de 2020.

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