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Senioridade

A IDADE NÃO TEM LIMITES

Editorial Janeiro - 2006


 

Aguinaldo Aparecido Neri

 

        Quando o assunto é idade, as culturas orientais sempre são lembradas pela sua forma respeitosa com que encaram as pessoas idosas.

Quando o assunto junta idade e trabalho a nossa cultura sempre tem procurado olhar para a situação da Europa, tanto em termos de legislação quanto em termos de conceitos de envelhecimento saudável.

Sugerimos que, hoje, os nossos olhares também se dirijam aos Estados Unidos.

Acompanhamos pelas notícias especializadas em Aposentadoria e Maturidade que os Baby Boomers (denominação que eles dão para as pessoas que nasceram logo após o término da II Guerra Mundial e, portanto, chegaram aos 60 anos) estão reagindo ao fato de terem que precisar parar de trabalhar.

As empresas também estão reagindo no sentido de estudar alternativas para manter este enorme contingente de profissionais altamente capacitados. Elas flexibilizam horários, formas de pagamento e de contratos para conseguir ficar com estes profissionais por mais tempo do que a lei sugere.

Os fatores que estão influenciando este tipo de decisão são mais amplos do que os relacionados com idade e potencialidades. Eles já sabem, há muito, que os profissionais competentes podem contribuir por muito tempo mais do que os legisladores pensaram até hoje.

As taxas de natalidade mais baixas do que as nossas e o maior controle das imigrações estão fazendo com que as empresas precisem manter os trabalhadores por mais tempo.

O Brasil terá que resolver dois problemas simultaneamente: como continuar aproveitando do potencial de profissionais altamente competentes e que querem ou precisam se manter no mercado de trabalho e como abrir espaços para um exército de jovens que continuam a precisar entrar no mercado de trabalho.

Este problema é muito sério.

A SeniorNet considera que o problema da entrada dos jovens no mercado de trabalho é um verdadeiro “tsunami” geracional.

Por outro lado, desperdiçar o potencial de pessoas que ainda têem muito o que contribuir, é mais uma das agressões que se faz à natureza.

Logo teremos uma nova eleição presidencial e ouviremos as já conhecidas promessas de geração de empregos, nunca realizadas.

A SeniorNet gostaria que todas as pessoas maduras acompanhassem estas discussões e se posicionassem frente aos argumentos oferecidos pelos candidatos, nesta direção.

Sempre dissemos que sempre que estivermos frente a “fogo morro acima, água morro abaixo e idade” não devemos ficar parados pois o processo não vai parar de imediato.

Assistimos às discussões sobre este tema serem feitas com muito menos responsabilidade do que deveriam, pelos nossos políticos. Não dá para pensar apenas na próxima eleição em um assunto que afeta a vida de gerações.

Geração de oportunidades de trabalho e emprego, assuntos relacionados à inclusão dos jovens no mercado de trabalho e do aproveitamento e respeito aos maduros são assuntos que devem ser debatidos de joelhos pelos nossos representantes.

Não é assim que acontece, infelizmente.

A maioria dos políticos só vê a sua “categoria” como beneficiária das suas idéias.

Vamos ser mais exigentes nesta eleição. Pensem com maturidade e com a experiência acumulada.

 

 

Para não dizer que nunca falamos de filas

 

As filas de desempregados e necessitados nas portas do INSS estão se constituindo numa grande vergonha para o país.

Há anos observamos este assunto ser apresentado como bandeira de políticos, mas muito pouco resultado tem sido apresentado.

Basta passar na frente de um prédio do INSS para vermos a humilhação a que aquele povo está submetido. Sob chuva, frio e enorme insegurança, passam noites esperando por um atendimento.

Quem pensa neles?

Enquanto eles ficam lá, os gerentes da agência estão dormindo ou assistindo à televisão.

Algum político vai lá para ajudar e apoiar? Nunca soubemos disso.

Lembramos de um conhecido senador que se dispôs a dormir numa cela para proteger presidiários de violência policial

Achamos que a situação é a mesma em termos de violência: dentro da prisão ou numa fila do INSS.

Espero que algum político passe pelo menos uma noite junto com eles para avaliar o que aquilo significa.





Boletim SeniorNet nº42

Editorial



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