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Geratividade: Uma competência que só vem com a idade

Estamos no ano internacional da pessoa idosa e achamos que este fato é da maior importância para a sociedade como um todo. As competências que citamos acima não têm, de maneira geral, nenhuma especificidade de idade. Ocorre, inclusive, um erro muito comum, que é o de colocar pessoas maduras em franca competição com os mais jovens. Em outras palavras, correndo na mesma raia jovens e maduros, com as mesmas armas e competências.

Há quase 50 anos atrás, o psicanalista Erik Erickson (1950) introduziu o conceito de geratividade no seu modelo de oito estágios para o desenvolvimento humano. Como o sétimo e penúltimo estágio, ele apresenta a geratividade, como uma reação à estagnação e como uma tendência que as pessoas maduras teriam para cuidar da próxima geração, usando as suas competências naturais para ensinar, orientar, cuidar, além de criar e transmitir conhecimentos e progressos para a melhoria de vida das gerações vindouras.

Geratividade não é propriamente uma competência como as descritas nos primeiros capítulos deste livro, mas uma tendência a que, na maturidade, as pessoas apresentem determinados comportamentos, que aumentam a sua competência em papéis de liderança, ensino, "coaching" e mentor.

De certa maneira, podemos dizer que geratividade é o tempero que a idade traz para fazer florescer e redirecionar um conjunto de competências profissionais e pessoais, previamente desenvolvidas no ambiente de trabalho.

Alguns exemplos de papéis sociais que podem ser melhorados com a geratividade:


No trabalho

Ajudando os mais jovens a se desenvolver.
Ajudando os mais jovens a assumir novos papéis e desafios.
Assumindo o papel de modelo para o desenvolvimento dos demais.
Ficando satisfeito por sentir-se importante e necessário ao grupo de trabalho.
Buscando desafios crescentes para melhorar os serviços que sempre fez.


Como cidadão

Preparando-se para ser modelo de cidadão em sua comunidade.
Dispondo-se a ser voluntário em atividades de cunho social.
Contribuindo com outras organizações da comunidade, além daquela para a qual trabalha.
Preocupando-se com a ecologia e com o que deixará para a próxima geração.
Aumentando a sensibilidade para direitos e obrigações do cidadão.


Como pai/mãe

Ajudando os filhos a se tornarem cidadãos.
Orgulhando-se do que fizeram para os filhos crescerem.
Mudando para acompanhar a época dos filhos.
Aumento da preocupação com segurança e com o espaço dos filhos na sociedade.
Além destes papéis percebemos que, com a maturidade, aumentam as competências na área espiritual, conjugal e social.

Erickson (1963) chamava a atenção também para o fato de que, com a maturidade, a preocupação com produtividade se amplia para outras dimensões além do trabalho. Uma "produção" na meia idade pode ser também um casamento saudável, filhos formados, compromissos sociais cumpridos e planejamento de vida. Consideramos a geratividade como um diferencial positivo que a idade traz para as pessoas e que precisa ser conhecida e valorizada. As empresas ainda não descobriram que podem usar as competências maturadas com a idade para fortalecer a nova geração de trabalhadores e transmitir conhecimentos de forma tranqüila e agregadora.

Vemos, com preocupação, a influência dos meios de comunicação sociais na determinação de padrões de competência e desempenho das pessoas. A imposição de padrões estéticos, de desempenho físico, intelectual e profissional fazem com que pessoas maduras e experientes se esforcem para incorporar padrões de comportamento típicos de outras gerações, enfraquecendo aqueles que são próprios da sua idade. Preocupa-nos também o fato de que muitas empresas ainda insistem em definir políticas de gestão de RH sem considerar as diferenças etárias entre a sua população. A diversidade etária traz benefícios de complementaridade que devem ser avaliados quanto à sua contribuição, para a criação de um ambiente de trabalho de melhor qualidade.

Não se treina geratividade como se treina as competências, mas se valoriza esta tendência natural do ser humano maduro, com incentivos e liberdade de ação no ambiente de trabalho.




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Editorial



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