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Os vários chápeus do(a) Consultor(a)

A atividade de Consultoria teve um grande impulso nos últimos anos, devido em parte a radicais mudanças na forma de gestão de empresas e o resultante ingresso no mercado de trabalho de trabalho de excelentes e experientes profissionais. Fico geralmente muito contente com o sucesso de novos
Consultores, inclusive alguns antigos clientes meus, mas não posso deixar de chamar a atenção para as dificuldades que alguns estreantes estão encontrando para se firmar na atividade.

Conhecimento, experiência, formação e um curriculum profissional recheado de nomes de empresas importantes ajuda muito, mas não garante sucesso. Tenho ajudado alguns destes profissionais, atônitos e frustrados com as dificuldades de manter uma relação profícua com seus clientes, apesar do seu "pedigree" profissional. Afinal, o que é ser Consultor(a)? Arte, missão, negócio ou lazer? Aos poucos eles descobrem que o sucesso na consultoria depende de uma mistura delicada e única entre as características do cliente e da cultura da empresa com a competência, sensibilidade e empatia do consultor, culminando com a escolha adequada do papel a ser desempenhado naquele momento e do verdadeiro serviço a ser prestado.

Independentemente da área técnica ou do negócio, quando um executivo procura um consultor ele tem necessidades tanto de resultados quanto de desenvolvimento e crescimento pessoal. Tem mais sucesso o Consultor que consegue um "blend" adequado destas duas necessidades, escolhendo entre os seus vários papéis o mais adequado à situação.

Champion, Kiel e Mclendon, consultores americanos, desenvolveram um grid para posturas de consultores, analisando o trabalho dos consultores em duas dimensões : desenvolver pessoal e profissionalmente os seus clientes e apresentar resultados. Eis alguns dos papéis:


Parceiro

Consultor e Cliente produzem resultados e se desenvolvem mutuamente. Somente funciona quando ambos têm maturidade e competências semelhantes ou complementares. O cuidado aqui é não confundir parceria com carona. Carona é quando só um faz e o outro leva a culpa ou os louros, tanto faz se Cliente ou Consultor.
Professor
Organiza as últimas e principais contribuições teóricas e práticas disponíveis no mercado de conhecimento para que o cliente se atualize. Costuma falar sobre o "estado da arte" dos assuntos da sua especialidade mas a sua contribuição tanto para resultados quanto para o desenvolvimento do cliente é genérica.


Modelador de comportamentos

Costuma dizer : "eu faço isto primeiro, você me observa , aprende e depois reproduz". É o que acontece quando um cliente quer comprar o nosso "know how", ou quando formamos multiplicadores. Obviamente, só vende "know how" o Consultor que tiver o que oferecer como modelo. Caso contrário, o cliente procurará o modelo original.


Especialista em determinado assunto
É o que faz e diz o que deve ser feito. Costuma apresentar resultados mas não ensina, nem desenvolve as pessoas e normalmente cria dependência para com o seu trabalho. É usado em atividades muito específicas e funciona quase como uma terceirização e não como Consultoria.


Assessor técnico

Oferece respostas às questões técnicas, desde que o Cliente faça as perguntas certas. Tem um relação indireta com os resultados mas pode melhorar o repertório de conhecimentos e a segurança teórica dos clientes.


Conselheiro

Tem pouca interferência direta nos resultados mas é exatamente o que muitos executivos precisam para desenvolvimento pessoal e profissional. Este é um "chapéu" que o consultor deve usar apenas em momentos críticos para o cliente. A atuação do conselheiro deve ser discreta e é melhor desenvolvida por aqueles que têm sólida formação teórica e, mais do que experiência, sabedoria em determinado assunto.


Facilitador

Acompanha o cliente que está envolvido em algum projeto e oferece ajuda técnica e pessoal durante o processo. As ações mais comuns do facilitador consistem em avaliar o andamento do processo, oferecer tecnologia e instrumentos, organizar informações e, principalmente, apoiar o cliente nos momentos de insegurança, medo ou excessiva autoconfiança. Um facilitador precisa usar a sua visão de águia, a paciência de oriental, a perspicácia e a determinação de um guerreiro e uma extrema capacidade de lidar com a própria frustração pois ele não tem poder formal e as coisas nem sempre saem como ele orientou, mas como foi possível para o cliente e seu grupo.


"Coach"

Transforma a consultoria num programa de treinamento e desenvolvimento individualizado ou grupal. Usa com precisão técnicas de "feedback" e modelação de comportamentos para desenvolver o seu cliente sabendo da possibilidade de logo ter um novo concorrente ou de ter os seus serviços dispensados. Assim como no papel de modelador de comportamentos, o sucesso pode significar a perda de um cliente.


Observador refletivo

Não é muito comum em nossa realidade carente de resultados imediatos. Acompanha um cliente ou uma empresa ao longo de anos e oferece análises e conclusões. Não tem responsabilidades diretas por resultados nem pelo desenvolvimento direto dos clientes mas pode ser muito útil em processos longos de reestruturação e desenvolvimento de organizações. Costumam ser chamados pela plebe de medalhões e é mais comum que ofereçam seus serviços aos altos escalões de empresas ou a grupos de acionistas.

Gostaria de alertar aos novos consultores que:

- estes papéis podem ser desempenhados tanto por consultores externos quanto internos;

- está mais preparado para o sucesso o consultor que tiver flexibilidade para assumir mais de um papel e, principalmente, o que tiver sensibilidade para escolher o papel adequado à hora
e à maturidade do cliente;

- nenhum dos papéis é melhor ou pior. Ele simplesmente deve estar adequado às necessidades e expectativas do cliente.

- precisamos saber quais os papéis que desempenhamos melhor, ou pior, para potencializá-los ou desenvolvê-los.

- estes papéis somente são eficazes quando temos uma noção clara de quem são os nossos clientes, e qual a hierarquia das nossas relações.

Comumente o consultor desempenha papéis complementares a mais de um cliente na mesma organização. Distribuindo estes papéis numa grade, na qual a dimensão horizontal indicasse a responsabilidade do Consultor por resultados e a vertical pelo desenvolvimento pessoal dos clientes (assim como os consultores americanos Champion, Kiel e Mclendon fizeram), teríamos o seguinte resultado:


Encontramos na realidade brasileira um conjunto de atividades e serviços associados à palavra Consultoria que mereceriam maior atenção e discussão por parte dos profissionais de RH e principalmente dos próprios consultores.

Assim como em qualquer outra atividade, há joio e há trigo bom. Aprender a separá-los é ajudar a melhorar a qualidade dos serviços prestados numa área e num momento crítico da economia brasileira. Em outras palavras, quero dizer que os executivos que compram serviços de consultoria têm o poder de contribuir para o desenvolvimento de bons profissionais consultores. Discutir competências, modelos de atuação, abordagens teóricas e metodológicas também é uma forma de se evitar que uma atividade tão desafiadora e interessante seja banalizada pelo excesso de ofertas de serviços e complacência e desinformação de clientes. Como escolher o seu consultor pode ser uma discussão muito importante para os próximos Boletins SeniorNet.




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Boletim SeniorNet nº42

Editorial



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