A própria
Internet com cerca de 200 milhões de usuários pelo
mundo afora também está dando a sua contribuição
neste processo. Os consumidores estão cada vez mais exigentes.
O comércio eletrônico tende a transformar as regras
do comércio convencional.
Estamos passando de uma força de trabalho braçal
para uma força de trabalho intelectual. A gestão
do conhecimento na empresa é algo que deva ser tratado
com bastante atenção, pois ela será um fator
estratégico não só contribuindo para a sobrevivência
das organizações mas, também pelo seu crescimento
sustentável.
Todos esses fatores devidamente combinados estão acontecendo
tão rapidamente que as pessoas do topo já quase
não conseguem mais acompanhar, definir e saber exatamente
o que ocorre na linha de frente, daí o empowerment seja
pela própria redução/ eliminação
dos níveis hierárquicos seja pela necessidade de
buscar uma agilidade que até então não era
exigida no passado.
Algumas conclusões são oportunas à luz deste
novo cenário. A capacitação das pessoas será
um dos fatores críticos de sucesso para a sobrevivência
das empresas nestes novos tempos. A prontidão para agir
é outro ponto importante, ou seja, necessitamos de pessoas
pró-ativas que possam ousar, correndo riscos calculados
é verdade, mas que tentem buscar novas soluções
para antigos problemas e que se sintam motivadas a fazerem isto.
O conhecimento está em alta nesta era do capital humano,
porém conhecimento só não basta. É
preciso que este conhecimento possa ser colocado em prática,
pois são as ações provenientes do conhecimento
que gerarão as soluções de que necessitamos.
Resultados são conseqüências do nosso poder
de criar soluções para os problemas ou desafios
que nos são apresentados.
Evidentemente que deve haver também por parte das empresas
não só um "habitat" propício, favorável
e encorajador a estas práticas como uma política
de incentivos que possa recompensar todo este movimento mesmo
porque mão-de-obra barata já deixou de ser vantagem
competitiva há algum tempo.
O que está ocorrendo no mundo dos negócios é
a forte convicção que a qualidade de vida terá
importância cada vez maior para as empresas interessadas
em atrair e manter talentos.
Em se tratando da área de Recursos Humanos (R.H), a organização
do futuro deve alinhar suas estratégias de R.H. a quatro
pontos chave para o aumento das qualificações dos
seus colaboradores.
O primeiro ponto está associado ao conhecimento do trabalho,
do negócio e de todo o sistema que envolve as operações.
Um segundo ponto é a informação sobre os
processos, qualidade, retroalimentação do cliente,
eventos e resultados comerciais.
O terceiro ponto está relacionado ao poder para agir e
tomar decisões sobre o trabalho em todos os seus aspectos
e, por último, o quarto ponto diz respeito ao sistema de
recompensas praticado pela empresa que deve estar ligado aos resultados
comerciais e ao crescimento em capacidade de contribuições,
ou seja, no próprio desempenho das pessoas.
"Algumas empresas perguntam a seus clientes o que eles desejam.
As líderes de mercado procuram saber o que seus clientes
desejam antes mesmo deles". Esta máxima colocada por
Gary Hammel C. K. Prahalad enfoca bem o senso de pró-atividade
que hoje as empresas necessitam.
Para competir neste cenário às empresas de alto
desempenho procuram manter pessoas com alta taxa de empregabilidade.
Empregabilidade sendo entendida como a capacidade de desenvolver
novas competências para estar em condições
de atender as contínuas exigências e desafios impostos
no mercado de trabalho.
No passado, um justo dia de trabalho era recompensado por um justo
pagamento diário. A relação era a seguinte:
se você fosse leal, trabalhasse duro e obedecesse as ordens,
a empresa, em troca, lhe ofereceria um trabalho seguro e aumento
de salário que de certa forma gerava uma certa segurança
financeira. Hoje o novo contrato de trabalho está inserido
dentro de uma nova formatação. O que se busca é
uma associação mutuamente proveitosa entre empresa
e colaboradores. A nova regra é a seguinte: se você
desenvolve continuamente suas habilidades, aplica-as de modo que
possa ajudar a companhia a ter sucesso, se você efetivamente
agrega valor ao negócio, a empresa apoiará o seu
desenvolvimento, propiciará um local de trabalho desafiante
e lhe recompensará pela suas contribuições.
Esta é a nova regra do jogo.
Na verdade a palavra emprego está em extinção,
bem como quase tudo o que dela decorre. Hoje o que devemos buscar
é um trabalho. Antigamente o importante era você
ter um emprego para toda vida. Hoje o que importa é você
ser empregável pela vida toda. Daí a importância
de investirmos constantemente na nossa carreira, com ou sem subsídios
por parte da empresa, não importa. O que importa mesmo
é que hoje o novo conceito de carreira diz que é
mais importante você ser empregável do que ter um
emprego e portanto, parar de estudar e de se atualizar é
parar no tempo.
O sucesso da empresa está diretamente ligado a seu pessoal,
seu principal ativo, responsável pelo aumento da qualidade
de seus produtos e serviços, responsável no mercado
pela sua competitividade.
As organizações de alta performance, além
de manterem pessoas com alta taxa de empregabilidade, também
visam construir e manter equipes sinérgicas e competentes.
Dentre as características que definem uma equipe de alta
performance podemos citar: liderança, alinhamento de propósitos,
comunicação afetiva, uma visão comum do futuro,
foco no cliente, talentos criativos, rapidez de respostas, responsabilidades
compartilhadas, senso de justiça, ética, etc.
Vale lembrar ainda que cada gerente da empresa também é
um gerente de recursos humanos na medida em que ele direta e continuamente
interage com sua equipe de trabalho. Sendo assim, cada gerente
também é responsável pela administração
do capital humano. Cada gerente da empresa, independente de sua
área de atuação, deve liderar sua equipe,
recrutar e treinar o seu pessoal, deve comunicar e orientar o
curso das ações, deve avaliar o desempenho de cada
funcionário, propor mobilizações etc.
Vivemos numa sociedade espantosamente dinâmica, instável,
desafiadora e ao mesmo tempo evolutiva. Este é o nosso
tempo.
Correrá sérios riscos quem decidir ficar esperando
para ver o que acontece. Cada tempo de espera é um tempo
perdido.
A adaptação a essa realidade, será cada vez
mais uma questão de sobrevivência. Hoje os sistemas
de informação disponíveis nos oferecem uma
infinidade de informações, cabe a nós, saber
filtrá-las extraindo o que há de melhor e o que
nos interessa para as nossas tomadas de decisão. Temos
que saber diferenciar o que é informação
e o que é poluição.
Competir na era do capital humano exige muito trabalho, esforço
e determinação.
O ser humano com toda a sua potencialidade, é a figura
principal na formatação destes novos tempos e efetivamente
pode fazer a diferença no sentido de construir não
só empresas mais ágeis e lucrativas, mas também
e principalmente um mundo justo e humano pois só assim
terá valido à pena ter vivido estes novos tempos
em que o capital humano é personagem principal desta nossa
história.
(*) Roberto de Oliveira Loureiro - Professor de Graduação
e Pós-Graduação da Fundação
Armando Álvares Penteado - FAAP, Faculdades Associadas
de São Paulo - FASP e Universidade São Judas Tadeu
E-mail para contato: robertloureiro@uol.com.br
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