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Enquanto muitos se queixam que ainda não ganhamos nenhum glamoroso Oscar americano nós destacamos o nosso maior prêmio para produções cinematográficas. - a Palma de Outro, no festival de Cannes. Anselmo Duarte é um herói da nossa arte cinematográfica. Onde anda o Anselmo ? |
João Nunes / Agência Anhangüera O Brasil que tanto sonha com o Oscar, com o Nobel, e até almejou ter um papa tupiniquim, não é capaz de valorizar a única Palma de Ouro que ganhou. Como se sabe, este é o principal prêmio do mais importante e charmoso festival de cinema do mundo, o de Cannes. Pois Anselmo Duarte, que completa 85 anos nesta quinta-feira - nasceu em 21 de abril de 1920, em Salto (a 47 quilômetros de Campinas) - passou a vida proclamando a importância do prêmio e foi esnobado por muita gente. Mas o ator e diretor continua a exibir com justo orgulho o troféu conquistado com O Pagador de Promessas, em 1962. E para quem gosta de Oscar, o filme foi o primeiro brasileiro nominado para o "tão sonhado troféu", que os brasileiros não se cansam de se martirizar por não possuir - até o Uruguai ganhou um em 2005, com o músico Jorge Drexler. Pois Anselmo, igualmente, não se cansou de repetir ao longo de quatro décadas que a Palma de Ouro é mais importante que o Oscar. Este é um prêmio do cinema norte-americano e quem não pertence à terra do Tio Sam, é convidado e nem sempre bem-vindo. O caso mais emblemático e recente é do próprio Jorge Drexler, impedido de cantar a canção Al Outro Lado del Rio, tema de Diários de Motocicleta, do brasileiro Walter Salles, na cerimônia deste ano. Em Cannes, a história é outra. Há uma seleção de filmes do mundo todo e, o melhor - nem sempre, claro - leva a Palma de Ouro para casa. Em 1962, o melhor foi O Pagador de Promessas e Anselmo, outro de seus troféus, se entusiasma pois disputou com lendas como Federico Fellini, Vittorio De Sica e Luis Buñuel, entre outros. Alguma homenagem mais consistente nesta data a este homem do cinema que mantém um status que ninguém jamais alcançou - nem Glauber Rocha, o mais badalado diretor brasileiro? Uma pálida, mas justa homenagem está sendo levada a cabo pelo Canal Brasil. Desde terça-feira, exibe no horário das 17h, os principais filmes do ator e diretor. Nesta quinta-feira, por exemplo, mostra Sinhá Moça (1953), dirigido por Tom Payne, e no qual Anselmo contracena com Eliane Lopes. O filme conta a história de jovem que se apaixona por advogado e vive um grande drama de amor, num contexto em que as idéias abolicionistas ganhavam força e eram violentamente combatidas. O filme, produção da Vera Cruz, ganhou o Prêmio Especial do Júri em Veneza, em 1953. Veneza, a propósito, é considerado o terceiro mais importante festival de cinema do mundo. |

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