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AS VANTAGENS DA MATURIDADE Maria Lúcia Mercante Naddeo* malu@interactio.com.br
Minha rotina profissional inclui o desenvolvimento e aperfeiçoamento de profissionais em línguas estrangeiras, em sua maioria na maturidade. Trabalhando com base em suas histórias de vida, e considerando suas vivências pessoais e profissionais, a consultoria se fundamenta nas necessidades e interesses de cada indivíduo, respeitando seu tipo de raciocínio e seu estilo de aprender. Com o objetivo de contextualizar aspectos lingüísticos e culturais, cada pessoa traz assuntos que lhe interessam para o desenvolvimento desse trabalho e muitas vezes acabamos por enfrentar situações inusitadas. Assim, recentemente recebi um e-mail de uma profissional altamente qualificada, que retransmitia uma longa mensagem com comentários jocosos em relação às “desvantagens” da maturidade e mais especificamente ao processo de envelhecimento feminino. Confesso que minha indignação foi tanta, que me levou a algumas reflexões que agora compartilho com vocês. Enquanto a maioria das pessoas se preocupa com o avanço da sua idade cronológica, tenho encontrado motivos que cada vez mais sedimentam minha crença de que a maturidade pode ser “a melhor idade”. Nunca fui esportista, apesar de concordar com a necessidade de se manter o corpo são. Minhas atividades intelectuais sempre foram um excelente pretexto para desenvolver uma vida sedentária e portanto meu aspecto físico não deve ser usado como exemplo, apesar de eu ser saudável e cheia de vida, Por outro lado, sempre cuidei de equilibrar atividades de trabalho e lazer, ainda que grande parte do meu tempo livre fosse investido na criação das minhas filhas e em pequenas viagens com elas. As leituras sempre me proporcionaram excelentes oportunidades de exercitar a imaginação e, cercada de amigos que compartilham os mesmos Princípios de vida, sempre estive afetivamente bem cuidada. Assim, posso dizer que tenho conseguido manter a mente sã. O ponto fundamental que me leva a analisar criteriosamente as vantagens da maturidade reside no fato de que, com certeza, apenas o corpo físico apresenta os sinais da idade. Nossa mente, se bem cuidada, permanece ágil, mas adquire uma perspicácia antes inacessível aos impulsos da juventude. Mantemos a mesma energia criativa, que se potencializa pela auto-confiança e pelo olhar voltado para o futuro, talvez por termos mais claramente a noção de que ele está cada vez mais próximo. E o que dizer da assertividade conquistada? Resultado de anos de vivências, aprendemos a dizer “não” com uma clareza indubitável. E dizer “sim” passa a ter um sabor irresistível, principalmente se nos permitirmos viver novas possibilidades, sem inseguranças ou preocupações com as opiniões alheias. Nossos jovens temem chegar aos trinta... e eu digo que ter mais de quarenta é um privilégio. Estar viva, aqui e agora, é reconhecer o que posso ter e o que quero Ser. É vislumbrar uma infinidade de páginas em branco, à espera de uma história que valha a pena ser escrita para depois ser contada pelas gerações futuras. A idade cronológica certamente não conta pontos a favor ou contra a felicidade. Recebi, como já disse, um e-mail pessimista, que falava das desvantagens da meia-idade. Além de me recusar a repassar essa mensagem, decidi contestar o que li e agora, publicamente, alerto a todos: não existe “meia-idade”, a não ser que alguém se sujeite a viver pela metade! Aceitemos, pois, a passagem do tempo como algo natural e necessário para a nossa evolução. Afinal, aprendemos quando crianças, adolescentes, jovens e adultos. Por que, então, haveria de ser diferente na maturidade? Para mim, se temos coragem de assumir quem somos e o que queremos, esta é, sem dúvida, a melhor idade!
*(A Prof. Maria Lúcia Mercante Naddeo (Malu) é educadora e mestre pela Unicamp. É diretora da Interactio Consultoria em Línguas, onde trabalha com a aquisição de línguas estrangeiras por pessoas da “melhor idade”.)
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