Boas Notícias sobre o Envelhecimento do Cérebro

Por Pam Harrison

À medida que vamos envelhecendo, cada vez temos mais receio de perder capacidades intelectuais.

Mas há boas notícias que dizem que a maior parte de nós envelhecerá com as capacidades mentais relativamente intactas. Cerca de 75% dos idosos retêm faculdades intelectuais normais enquanto vão envelhecendo, embora acabem por experimentar algumas alterações da memória, diz o Dr. Howard Chertkow , director do Centro Bloomfield de Investigação do Envelhecimento, em Montreal. Outros 5%, a que os especialistas chamam super-normais, não sofrerão qualquer declínio visível na capacidade de pensar à medida que vão envelhecendo, diz ele. «Por outras palavras, 80% dos idosos terão aquilo que consideramos função mental normal.» Os restantes 20% envelhecem duma forma que os gerontologistas não consideram normal. No entanto, a maior parte destes desenvolverão apenas deficiências intelectuais ligeiras (como dificuldade em lembrar acontecimentos recentes) enquanto os outros serão diagnosticados com formas mais graves de declínio, como demência ou Alzheimer.
Então, que significa dizer-se que o cérebro está a envelhecer normalmente?

O cérebro é uma complicada sequência de mais de cem mil milhões de células nervosas que controlam a nossa vida diária; desde as funções involuntárias como a respiração, até à criação da essência da nossa personalidade. Estas células comunicam entre si através de impulsos eléctricos e químicos, ou neurotransmissores.
Alguns destes neurónios estão envolvidos no pensamento e na memória. Os do enorme córtex frontal controlam as funções intelectuais de nível mais elevado; como dividir tarefas difíceis em tarefas mais pequenas e exequíveis. O córtex frontal tem dois hemisférios: o direito, que controla o desempenho espacial; o esquerdo, que ajuda a processar a linguagem. A memória a longo prazo está codificada no hipocampo, dentro do córtex.
À medida que envelhecemos, o cérebro sofre uma série de alterações que afectam tanto a estrutura como as funções, diz Cheryl Grady, cientista sénior do Centro Baycrest de Cuidados Geriátricos, em Toronto, e professora de psiquiatria e psicologia na Universidade de Toronto. A partir dos vinte e cinco anos temos tendência a começar a perder neurónios bem como as células nervosas que os ligam no cérebro.
Já se sabe que o cérebro duma pessoa idosa parece encolhido quando comparado com o de uma pessoa mais nova. Em média, o cérebro perde 5 a 10% do seu peso entre os vinte e os noventa anos. Este encolhimento é particularmente agudo no hipocampo e nos lobos frontais.
Estas alterações na estrutura e na função levam a alguma perda na função cognitiva. Por exemplo, a nossa memória episódica, que nos permite lembrar onde deixámos as chaves, por exemplo, vai piorando com o tempo. Contudo, «isso não significa que haja algum problema: é uma consequência normal do envelhecimento», diz Grady.
Executar várias tarefas ao mesmo tempo, como ouvir rádio, ler o jornal e conversar com outra pessoa, que facilmente poderíamos ter feito em simultâneo quando éramos jovens, constitui cada vez mais um desafio à medida que envelhecemos. Este declínio, contudo, pode não ser apenas devido a problemas de memória. A deterioração da visão e da audição, por exemplo, desgasta a capacidade dos idosos pensarem claramente.
As pessoas mais velhas também têm tendência para demorar mais tempo a tomar decisões e a tirar conclusões. «Um miúdo de dez anos vence sempre o avô num jogo de vídeo», diz Chertkow, simplesmente porque as crianças pensam mais depressa em situações novas.
Por outro lado, alguns tipos de funções mentais até melhoram com a idade. É o caso do conhecimento geral que temos do mundo, que vai aumentando com os anos. É comum as pessoas mais velhas recordarem nomes de países, de pessoas famosas e de importantes acontecimentos históricos, enquanto os jovens podem ter problemas em lembrar-se dessas coisas.
Grady e outros investigadores sugerem que os adultos mais velhos podem compensar a perda de neurónios numa área do cérebro usando outra parte dele. A investigação indica que as pessoas mais velhas podem aprender a usar a metade esquerda do córtex pré-frontal para melhorar certas tarefas cognitivas como a memória e o raciocínio.

Estas observações contribuíram para uma mudança na forma como pensamos acerca da memória e do cérebro envelhecido. Alguns investigadores sustentam agora que a falta de memória relacionada com a idade não se deve tanto à perda de neurónios como a uma série de complexas interacções químicas que vão tendo lugar no cérebro, e que envolvem talvez uma diminuição dos níveis da dopamina, um dos químicos do cérebro.
Um dos maiores factores no envelhecimento mental é inalterável: os progenitores. Se eles se mantêm ou mantinham lúcidos aos 90 anos, o mais provável é que o mesmo venha a passar-se consigo. Embora não possa fazer muito quanto aos seus genes, há coisas que pode influenciar.

Viver bem. A posição na escala socio-económica desempenha um papel importante na acuidade mental. Os ricos têm realmente melhor saúde mental e física, se não forem mesmo mais sensatos. Talvez isto se deva a hábitos mais saudáveis (comem melhor, fazem mais exercício e fumam menos do que os pobres) e a estilos de vida com menos stress.
Fazer um bom casamento. «O que se passa dentro de casa é um dos melhores prenunciadores de um bom envelhecimento», diz Chertkow. Casar com uma pessoa mais activa do ponto de vista intelectual aumenta as hipóteses de mantermos as nossas capacidades intactas, o que não acontecerá se da parte do outro não houver qualquer estímulo mental.
Manter a forma. Calcula-se que as pessoas que se mantêm fisicamente activas ao longo da vida sejam cerca de sete anos mais novas em termos de capacidades cognitivas do que as da mesma idade que são sedentárias, diz Chertkow. Ao reduzir as probabilidades de se vir a ter hipertensão, doenças cardíacas e diabetes, a actividade física regular ajuda a evitar pequenos enfartes que afectam o fluxo sanguíneo para o cérebro e podem causar um tipo de demência.

Ser flexível. Quem se adapta bem à mudança tende a envelhecer melhor em termos de funções intelectuais do que quem tem uma personalidade mais rígida. E quem faz amigos com facilidade tem mais probabilidades de ter maior capacidade cerebral do que quem se mantém isolado. «É melhor ter uma rede social mais vasta de amigos com quem interagir do que não ter contacto social», diz Chertkow.
Manter a calma. O stress crónico tem sido associado a atrofia do hipotálamo. «Não é de surpreender que a memória piore em presença do stress crónico», nota Chertkow, acrescentando que tem verificado que os problemas de memória se atenuam com a diminuição do stress crónico.
Embora pouco ou nenhum controlo se tenha sobre os genes ou a personalidade, deve-se fazer tudo o que for possível em relação aos factores que contribuem para manter o cérebro saudável enquanto se vai envelhecendo, diz Grady. E quanto mais se exercitar o cérebro, maiores serão as hipóteses de guardar o poder do cérebro intacto. «É bem evidente que as pessoas que se envolvem em actividades de lazer intelectualmente estimulantes várias vezes por semana agem melhor do que as que se limitam a ficar sentadas no sofá a ver televisão», diz Cherktow.

Quem São os Que se Mantêm Frescos?

Aos 81 anos, o Dr. Glen Harrison diz que finalmente se reformou. Mas como desde que «se reformou» da prática de medicina geral, aos 65 anos, tem sido assistente de cirurgia, continua a levantar-se às seis horas, para fazer uma substituição quando os colegas cirurgiões precisam de apoio.
Sempre atlético, Harrison deixou de correr aos 65 anos , «problemas na anca», mas continua a ser um esquiador de primeira e conduz um barco a motor na sua propriedade de Bower Island, a norte de Vancouver, onde nunca lhe falta que fazer.
Uma vez, no Natal, um amigo ofereceu-lhe um brinquedo com um bilhete que dizia «para a criança mais velha que conheço.» «Adora brinquedos e brincar com crianças. No fundo, não passa duma criança grande», diz Karen, a sua mulher.
«Não há nada melhor que não levar a vida a sério», diz Harrison. «É preciso divertir-se, encontrar um bom equilíbrio entre trabalho e prazer, arranjar um emprego a gosto, porque fazer uma coisa de que se gosta torna qualquer um bem mais feliz.»

A Km de Distância

Todos os anos, em Abril, Ruth Jenkins, de 77 anos, de Belleville, Ontario, põe o despertador para as cinco da manhã para não chegar atrasada ao encontro com os amigos para o exercício diário. «Percorro km e meio até à Ilha Zwick, na Baía de Quinte e lá fazemos quatro vezes a pista de km e meio», explica ela. Em seguida passa pelo Harbour Club, onde participa numa aula de aeróbia ligeira das 8.25 às 9, após o que regressa a pé a casa. No total, Jenkins caminha cerca de 9 km várias vezes por semana, até à chegada do Inverno. E depois, continua a frequentar as aulas de aeróbia.
Isto tudo apesar de ter agora duas placas de metal, sete parafusos e um pivô num tornozelo, recordação de um acidente em Setembro de 2002, em que, durante uma das suas caminhadas, três cães brincalhões a atiraram ao chão. Na Primavera seguinte retomou a rotina.

Manter-se Ocupado

Nunca parar de trabalhar em qualquer coisa é o segredo para um envelhecimento saudável, segundo Irene Acs.
Recomeçar tudo na meia idade num novo país e com uma língua estrangeira não é fácil. Mas quando os russos ocuparam a Checoslováquia em 1968, «o meu marido decidiu que partíamos», diz Irene, agora com 76 anos. O casal chegou a Toronto, onde primeiro teve de aprender inglês e depois arranjar trabalho. Irene era guarda-livros na Checoslováquia e não teve grande dificuldade em transferir as suas capacidades para o novo lar. E o marido, Stefan, advogado, acabou por arranjar trabalho no ramo dos seguros. Criaram duas filhas, Mira e Kane, e formaram uma família feliz, até à morte de Stefan, há dezoito anos. Irene seguiu em frente e desde então tem trabalhado como guarda-livros.
Mantém um regime diário rígido e todas as tardes faz uma caminhada de 35 minutos para ir buscar um dos três netos, Madison, de três anos, ao infantário. Também faz regularmente cerca de dez km de bicicleta até ao mercado local, e por vezes mais, até à Câmara Municipal , apenas para fazer exercício.
Todos os anos faz duas grandes viagens: à República Checa para visitar a família e a qualquer outro país que lhe tenha despertado interesse.
Para além de continuar a trabalhar, a receita para envelhecer bem inclui comunicar com outras pessoas.
Mira acrescenta que a mãe é também «uma padeira impressionante e uma grande cozinheira.»

Mitos e Verdades Sobre a Doença de Alzheimer

JACQUELINE BOULET

As actividades mentais podem ajudar a retardar o avanço da doença de Alzheimer

1. Se nenhum membro da minha família tiver a doença, também não a terei.
FALSO
Conhecem-se dois tipos de doença de Alzheimer: a familiar (FAD) e a esporádica. Embora seja certo que a familiar é transmitida pelos genes, tal só se verifica em 5% dos casos. Os restantes 95% são esporádicos, e podem ser causados por uma série de factores, incluindo um regime alimentar rico em gorduras e o ambiente. Os médicos são da opinião que um estilo de vida saudável e o abandono de hábitos de vida pouco saudáveis, como o de fumar, antes dos 40 anos, ajudam a reduzir o tipo desta espécie de Alzheimer.

2. Apenas os idosos estão em risco.
FALSO
A grande maioria das pessoas diagnosticadas com Alzheimer têm mais de 60 anos e este risco aumenta com a idade. No entanto, pessoas na casa dos trinta, dos quarenta e dos cinquenta podem desenvolver a doença. Os médicos pensam que a forma precoce da doença pode estar de algum modo relacionada com a FAD.
Os sintomas de Alzheimer não devem ser ignorados em nenhuma idade. Consulte o médico se detectar algum dos seguintes sintomas em si ou num ente querido: confusão ao realizar tarefas diárias, como lavar a louça, pôr os objectos de todos os dias fora dos lugares habituais, meter as chaves do carro no frigorífico, ou quaisquer outros comportamentos invulgares que cada vez mais vão sendo frequentes sem qualquer explicação.

3. As mulheres correm mais riscos de desenvolver a doença.
VERDADEIRO
Embora a doença atinja ambos os sexos, dos cerca de 346 000 canadianos que actualmente sofrem de Alzheimer ou de demência relacionada com esta doença, 68% são mulheres.
Os investigadores pensam que as mulheres sofrem mais frequentemente de Alzheimer que os homens porque, em média, vivem mais seis anos que eles. Uma em cada 13 canadianas com mais de 65 anos tem Alzheimer ou uma demência relacionada, mas o número sobe para uma em três canadianas com mais de 85 anos, pelo que a longevidade das mulheres é um factor de risco importante para a doença.
Para além da idade, não se conhecem razões para as mulheres sofrerem mais de Alzheimer que os homens.

4. Se a sua memória começa a falhar, deve estar a desenvolver Alzheimer.
FALSO
Alguma perda da memória faz parte do envelhecimento, o Alzheimer não. Embora a doença pressuponha perda de memória, também se caracteriza por outros sintomas distintos como perda da capacidade de raciocínio, desorientação no tempo e no espaço, e alterações de memória e de comportamento.
O Alzheimer afecta a capacidade de uma pessoa funcionar no dia-a-dia: tarefas simples como escovar os dentes ou utilizar o microondas transformam-se num desafio, o que pode contribuir para alterações súbitas de humor que os doentes de Alzheimer por vezes evidenciam.

5. A doença de Alzheimer significa uma espiral invertida para a confusão, a depressão e a tristeza.
FALSO
Com o amor e o apoio da família e dos amigos, pessoas com a doença de Alzheimer podem viver bem após o diagnóstico. Fizeram-se estudos que permitiram descobrir que, embora quem presta assistência muitas vezes se sinta triste ou frustrado com a perda de memória dos seus entes queridos ou com a sua luta para desempenhar as tarefas diárias, os doentes têm muitas vezes menor percepção dessas perdas e, por conseguinte, acham que têm uma qualidade de vida melhor do que pensa quem lhes presta cuidados. Os familiares de um doente de Alzheimer devem tentar manter-se calmos e permanecer positivos. Um pouco de empatia da parte de quem cuida do doente pode fazer muito para tornar melhor a qualidade de vida daquele, que não se sentirá tão só ou pesado.

6. A exposição ao alumínio provoca a doença de Alzheimer.
FALSO
Nos últimos vinte anos efectuaram-se vários estudos sobre a exposição ao alumínio e a doença de Alzheimer, mas os resultados têm sido tão inconsistentes que os peritos não descobriram uma relação conclusiva entre as duas.
Muitos dos factores que podem contribuir para desenvolver Alzheimer estão relacionados com o estilo de vida, como um regime alimentar rico em alimentos processados ou gordos, que podem causar colesterol elevado, hipertensão e doenças cardíacas. Uma alimentação saudável e hábitos de exercício físico são dois bons factores para evitar o Alzheimer. Comece por aí, antes de deitar fora as suas panelas e sertãs de alumínio.

7. Uma actividade mental regular pode ajudar a manter a doença afastada.
VERDADEIRO
Há estudos que indicam que as pessoas que exercitam a mente todos os dias podem atrasar o aparecimento do Alzheimer. Um estudo de 2002 sobre as capacidades cognitivas de um grupo de freiras, padres e frades idosos, mostrou uma forte ligação entre a participação frequente em actividades mentalmente estimulantes e o risco reduzido de Alzheimer. Os dados sugerem que actividades mentais como jogar bridge ou xadrez ou fazer palavras cruzadas podem ser a chave para manter uma boa saúde mental. Embora não façam regredir os efeitos do Alzheimer, contribuem para retardar o seu avanço.

8. Suplementos à base de plantas podem evitar a doença de Alzheimer.
FALSO
Muitos canadianos tomam suplementos de plantas para evitar a doença de Alzheimer. No entanto, apenas prescrições médicas como os inibidores da colinesterase (responsável pela degradação do neurotransmissor acetilcolina), Remynil, Exelon e Aricept têm mostrado ajudar a manter no cérebro, temporariamente, os químicos que controlam a memória e o pensamento.

9. Todas as pessoas com Alzheimer tornam-se violentas e agressivas.
FALSO
Os efeitos da doença são diferentes de pessoa para pessoa e a agressão não está sempre presente. Os distúrbios comportamentais dos doentes de Alzheimer podem ocorrer em diferentes alturas no decurso da doença. A agitação ou a agressão podem estar relacionadas com a presença da psicose (por exemplo, alucinações); estímulos físicos (talvez dor), ou ser uma resposta a uma determinada situação (o doente sentir que não consegue fazer algo que a pessoa que se ocupa dele quer que ele faça). Assim, compreender a causa do comportamento pode levar a uma abordagem que reduza a agitação.
Deve tratar-se uma pessoa com a doença de Alzheimer da mesma forma que se trata qualquer outra e não se deve expressar raiva e frustração com o diagnóstico da doença em frente dela.

10. Não existe cura para a doença.
VERDADEIRO
Embora não haja cura; há muitos tratamentos disponíveis para ajudar a aliviar os sintomas da doença e a ansiedade dos doentes.
Os inibidores da colinesterase ajudam a manter os químicos vitais do cérebro e podem estabilizar e melhorar a memória, o domínio da linguagem e a capacidade de interagir com pessoas e de se manter ligado à vida. Os cérebros de pessoas com Alzheimer vão perdendo o neurotransmissor acetilcolina, importante para o pensamento e para a memória: os inibidores da colinesterase podem melhorar a função do cérebro já que impedem a produção das enzimas que destroem a acetilcolina.
Os investigadores estão também a analisar a proteína betamilóide, que cria placas tóxicas no cérebro dos doentes de Alzheimer e que muitos pensam ser a causa principal dos danos das células cerebrais. Esta pode ser uma das chaves para deslindar o mistério da doença, pelo que estão a ser actualmente criados medicamentos que ajudam a impedir a formação destas proteínas. Além disso, há estudos em curso que se debruçam sobre o papel que as drogas anti-inflamatórias não esteróides, como a aspirina, possam desempenhar na redução ou prevenção dos efeitos de Alzheimer. Também se está a fazer investigação sobre vacinas preventivas.

Nos últimos 25 anos deu-se uma explosão de descobertas científicas: os médicos têm esperança que as respostas estejam à vista, dando aos doentes novas opções de luta contra os efeitos da doença até à descoberta da cura.

Fonte: Site http://www.seleccoes.pt

Tags: No tags

Add a Comment

Your email address will not be published. Required fields are marked *