Empreendedorismo sênior cresce e estimula economia do Brasil

A mudança da composição da população brasileira não se reflete apenas em novos hábitos de consumo. Também o perfil do empreendedor é afetado por ela. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), produzida pelo Instituto Brasileiro de Qualidade e Pesquisa (IBQP) e divulgada neste ano, a taxa de empreendedores na faixa etária entre 55 e 64 anos cresceu 5,5% ano passado. “O aumento de empreendedores nessa faixa etária tem duas justificativas: uma é relacionada à busca de uma realização, ou o sonho de vida, e a outra decorre da necessidade financeira”, afirma João Bonomo, professor de empreendedorismo do Ibmec-MG.

O crescimento também tem relação com a alteração da pirâmide populacional brasileira. Em 1991, 7,3% da população tinha mais de 60 anos; em 2000, o número subiu para 8,6% e, em 2010, para 10,7%. “O Brasil, que sempre foi conhecido como o País dos jovens, está envelhecendo”, explica Arthur O’leary Junior, fundador da Brasil Data Sênior.

Outro fator que impulsiona esse fenômeno é a longevidade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a média da expectativa de vida brasileira em 2010 era de 73 anos, um crescimento de três anos quando a comparado ao Censo de 2000. “É como se a longevidade atuasse como pano de fundo. A medicina curativa e preventiva está melhorando e as pessoas nessa idade não acham mais que a vida está acabando como acontecia antes”, explica João.

Solange Lira, organizadora da Expo Sênior, feira voltada ao público acima dos 49 anos realizada de 5 a 7 de setembro em São Paulo, considera o momento propício ao empreendedor sênior. “O maior acesso à informação estimula as pessoas a empreender. A informação leva à qualidade de vida e favorece o empreendedor”, analisa. Para Solange, o inconformismo também está ligado ao movimento. “A aposentadoria não é suficiente para manter o padrão de vida que uma pessoa teve durante toda a vida. Portanto, esse grupo se torna ativo e menos conformista.”

Facilitadores e dificuldades 
Uma das grandes vantagens do empreendedor sênior é que, em muitas áreas, ele pode aproveitar na nova atividade toda a bagagem de seus anos de profissão. “Consultoria é uma dessas áreas, justamente por conta do conhecimento que a pessoa adquiriu ao longo da vida”, afirma Solange.”O número de gestores consultores de idade mais avançada aumentou, porque são pessoas que adquiriram know-how e acabaram abrindo escritórios para auxiliar as empresas que estão nascendo ou passando por dificuldades”, explica João.

Mas o empreendedor sênior pode se deparar com algumas dificuldades. “O preconceito ao idoso ainda é intenso. Acham que efetivamente não tem mais nada para contribuir”, pondera João. Para que a chance de sucesso seja maior, é importante que esse tipo de empreendedor procure áreas com as quais esteja mais familiarizado. “Não são todos que estão abertos a um cenário de negócios tão vasto. O ideal é que procurem áreas em que tenham mais conhecimento, pois o cenário atual é complexo”, considera.

Fonte: Site Terra

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