Jovens e idosos brasileiros ficarão mais empreendedores, diz consultor

Mudanças recentes no Brasil devem transformar a divisão do empreendedorismo no país por faixas etárias. Especialistas afirmam que a participação dos jovens de até 24 anos e das pessoas com mais de 50 anos está em alta.

A estabilização da economia nacional está perto de completar uma geração, desde a criação do Plano Real, em 1994. Segundo o administrador de empresas e presidente da consultoria de negócios e franquias Fran Systems, Batista Gigliotti, essa condição do Brasil tem sido muito importante para estimular os jovens a cada vez mais cedo buscarem o empreendedorismo.

“Milhares já nasceram com moeda estável, inflação menor e instituições mais fortes. E as pessoas também se empenham mais em obter informações técnicas para assumir riscos, fator fundamental para empreender”, comenta.

Na outra ponta, que inclui as pessoas com mais de 50 anos, o país tem um aumento da expectativa de vida de sua população e existe uma diminuição das taxas de juros –com isso aplicar a aposentadoria ou economias em uma aplicação financeira tende a render menosdo que os lucros gerados com uma empresa. A Selic, taxa básica de juros, alcançou mínima histórica de 7,25% ao ano.

“As pessoas de mais idade, por essas razões, estão mais dispostas a empreender. Diria que o grande diferencial nessa faixa etária é que os empreendedores estão mais preocupados com a realização de um projeto, por isso a energia não é inferior a dos jovens”, completa Gigliotti.

Segundo o último levantamento do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com dados de 2009 no Estado de São Paulo, 13% das micro e pequenas empresas tinham como sócios pessoas com até 24 anos. Na faixa de 25 a 39 anos, esse percentual somava 49%. Dos 40 a 49 anos, a representatividade era de 24%. Por fim, as pessoas com mais de 50 anos eram donas de 13% das MPEs.

Para Renato Fonseca, consultor do Sebrae-SP, há uma percepção no mercado de que os números atuais devem mostrar um maior equilíbrio de representação entre essas faixas etárias. “O investimento produtivo virou uma alternativa real no Brasil, e para pessoas de mais idade vemos hoje também o crescimento da opção de ser um anjo, ou seja, usar as economias e conhecimentos para investir em empresas recém-criadas”, afirma.

DIFICULDADES

As faixas etárias dos empreendedores apresentam similaridades de pontos negativos e positivos para empreender. Os especialistas apontam que na faixa de 20 a 30 anos as pessoas costumam ter uma falta de maturidade profissional e de vida pessoal para prever e driblar as possíveis dificuldades. Em contrapartida, há um ânimo maior e uma maior pré-disposição ao risco.

Foi assim que começou a ABN8 Trading, empresa especializada em comércio exterior que já atua na Ásia, Europa, América Latina e Estados Unidos. Logo que se formou em administração com especialização em comércio exterior em 2008, Alessandro Fernandes, 29, e mais dois amigos criaram a empresa com as economias de cada um. “No começo decidimos arriscar, ver o que ia dar. Acabou dando certo porque procuramos sócios complementares, com qualidades diferentes, como vendas, comércio exterior e administração”, lembra.

Já as características mais comuns de empreendedores acima de 40 anos são a preparação maior, ter os filhos já criados e uma reserva financeira melhor. Como são pessoas que também já passaram por várias realidades, essas pessoas também tem o perfil de realização pessoal em um projeto.

É o caso do professor universitário de ciências biológicas Marcílio Araújo, 56. Há seis meses ele se aposentou e decidiu virar empresário na franquia de idiomas inFlux English School no Recife. “Estou levando a sério a iniciativa e em dois anos espero rever meu investimento. Toda minha experiência está me ajudando a tocar o negócio e me sinto feliz”, comenta.

Gigliotti e Fonseca listam algumas dicas para o empreendedor em diferentes idades:

* De 20 a 30 anos
Pela pouca experiência, a sugestão é estudar muito e procurar sócio mais velhos e com características complementares.

* Dos 30 aos 40 anos
A maturidade já aumentou, mas a pressão de criar os filhos pode limitar a aceitação de riscos. Também é indicado pesquisar e estudar muito para minimizar possíveis problemas. Outra opção que está ficando comum é a mulher nessa faixa idade empreender mais, seja em casa enquanto o marido tem um emprego formal, ou mulheres independentes que buscam mais renda.

* Após os 40 anos
O preparo já é muito bom, os filhos estão criados e ainda há muita energia. Além da necessidade de estudar, para aproveitar todos esses benefícios a pessoa deve melhorar sua rede contatos.

* A partir dos 50 anos
Há os mesmos fatores positivos e a necessidade de fazer contatos. Mas é bom ter algumas cautelas e nunca investir mais do que 30% do patrimônio, porque a pessoa pode não ter tempo de recuperar.

De qualquer forma, o empreendedor em qualquer idade tem que avaliar três fatores em si mesmo: propensão ao risco, experiência e “network” (rede contatos). O item que for fraco ele tem que melhorar para ser bem-sucedido em qualquer negócio.

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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