Artigo
Trabalhar depois da aposentadoria pode fazer bem à saúde?

Post 1 — Longevidade e trabalho
Trabalhar depois da aposentadoria pode fazer bem à saúde? Esta é uma discussão que promovo nos meus seminários, desde a década de 80.
A aposentadoria não precisa representar o fim da vida produtiva. Pesquisas científicas estão trazendo novas contribuições para essa discussão.
Durante muito tempo, a aposentadoria foi entendida como o momento de interromper definitivamente as atividades profissionais. Entretanto, o aumento da longevidade vem modificando essa perspectiva. A pergunta que se fazia antes era se a pessoa estava pronta para se aposentar. Hoje a pergunta é se a pessoa está preparando uma vida longeva.
Hoje, muitas pessoas chegam aos 60 ou 70 anos com disposição, conhecimentos acumulados e interesse em continuar participando da vida produtiva. Outras precisam continuar trabalhando por razões econômicas. São situações diferentes, que precisam ser compreendidas e respeitadas.
Pesquisas sobre trabalho após a aposentadoria vêm investigando suas relações com a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida.
Os resultados sugerem que continuar exercendo atividades profissionais pode estar associado a benefícios, especialmente quando o trabalho proporciona autonomia, relacionamentos sociais, reconhecimento e oportunidades de aprendizagem.
Entretanto, há uma distinção fundamental: não basta continuar trabalhando. É preciso considerar em que condições esse trabalho acontece.
Atividades excessivamente desgastantes, ambientes discriminatórios e ausência de liberdade de escolha podem comprometer os possíveis benefícios.
Isso nos leva a uma questão importante para a Psicologia do Trabalho e para as organizações: estamos preparando os ambientes profissionais para acolher uma população que vive cada vez mais?
O envelhecimento da população exige novas políticas de gestão de pessoas, oportunidades de atualização profissional e práticas efetivas de combate ao etarismo.
Envelhecer não significa deixar de aprender, produzir ou contribuir.
Da mesma forma, aposentar-se de um emprego não significa necessariamente aposentar-se da vida produtiva.
O grande desafio não é fazer com que todos trabalhem por mais tempo, mas assegurar que aqueles que desejam ou precisam continuar trabalhando encontrem oportunidades dignas e compatíveis com suas capacidades e expectativas.
Para refletir
Uma sociedade que está aprendendo a viver mais precisa também aprender a valorizar a experiência de quem viveu mais.
Referência para aprofundamento
Organização Mundial da Saúde (OMS). Década do Envelhecimento Saudável 2021–2030.
https://www.who.int/initiatives/decade-of-healthy-ageing
Outra revisão, publicada na Ageing & Society, mostra que os efeitos da aposentadoria sobre a saúde variam conforme a profissão, as condições de trabalho e o caráter voluntário ou involuntário da aposentadoria.
Referência bibliográfica
Título: How does retirement really affect physical health? A systematic review of longitudinal studies.
Tradução: Como a aposentadoria realmente afeta a saúde física? Uma revisão sistemática de estudos longitudinais.
Autores: Gabriela Nazar e colaboradores.
Publicação: 23 de janeiro de 2025, Ageing & Society, volume 45, número 9, páginas 1925–1942.
https://doi.org/10.1017/S0144686X24000503
Aguinaldo Neri
A pesquisa para a concepção deste post e revisão final teve a ajuda de IA.




