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Voluntariado na maturidade: experiência que encontra novos caminhos

A aposentadoria modifica nossa relação com o trabalho, mas não encerra nossa capacidade de contribuir. Conhecimentos, habilidades e experiências continuam conosco — e podem encontrar novos destinos.
Para algumas pessoas, o voluntariado abre esse caminho. Uma oportunidade de participar de uma causa, estabelecer vínculos e compartilhar o que aprenderam. Também de aprender algo diferente, conhecer outras realidades e rever as próprias certezas.
Eu sou um voluntário há quase vinte anos e me sinto muito bem com isso. Com a experiência profissional que acumulei posso ajudar pessoas a conseguir autonomia pessoal via reforço na empregabilidade e desenvolvimento de competências. Foi isso que fiz por cinco décadas, como profissional de Recursos Humanos. Sou voluntário no Instituto Padre Haroldo, em Campinas.

Há muita experiência disponível na sociedade. Precisamos criar oportunidades para que ela encontre quem possa se beneficiar dessa troca.
O que as pesquisas mostram
Um relatório publicado em 2025 pelo programa de Voluntários das Nações Unidas e pela Organização Internacional do Trabalho reúne evidências sobre a participação de pessoas mais velhas no voluntariado. O documento aponta associações com melhor qualidade de vida percebida, bem-estar e conexão social. Também identifica barreiras: renda insuficiente, responsabilidades domésticas e limitações físicas podem dificultar a participação.
Esses resultados merecem atenção, mas exigem cuidado na interpretação. Encontrar melhores indicadores entre voluntários não significa demonstrar que o voluntariado, sozinho, produziu essas diferenças. Pessoas que já dispõem de melhores condições de saúde, renda e apoio também podem ter mais oportunidades de participar.
A reflexão mais útil, portanto, é sobre as condições que tornam essa experiência significativa e acessível.
Contribuir sem repetir a sobrecarga
Quem passou décadas cumprindo horários, administrando responsabilidades e respondendo a cobranças talvez queira participar de outra maneira.
Uma atividade voluntária precisa caber na vida de quem a realiza. Isso envolve combinar tarefas, horários, apoio e limites. A pessoa deve poder dizer quanto tempo tem disponível, o que deseja fazer e quais atividades consegue assumir.
Também cabe às instituições oferecer acolhimento, orientação e condições adequadas. Valorizar a experiência de alguém exige escutar seus interesses e respeitar sua autonomia.
O voluntário tem uma relação de parceria com instituições que precisam de ajuda. Eu escolhi uma instituição que cuida de pessoas em situação de fragilidade social e que jamais teriam condições de receber minha atenção como profissional. Como voluntário eu disponibilizo uma pequena parte do que tenho, sei e aprendo para ajudar pessoas e instituições.
A experiência profissional pode ganhar outra aplicação
Ensinar um ofício, orientar jovens que procuram o primeiro emprego, colaborar com uma organização comunitária, participar de projetos culturais ou apoiar uma iniciativa de bairro são algumas possibilidades.
O voluntariado permite colocar conhecimentos profissionais a serviço de uma causa. Mas também pode ser uma oportunidade para experimentar algo inteiramente novo. Ninguém precisa passar a aposentadoria repetindo a profissão que exerceu.
E a troca acontece em todas as direções: pessoas mais velhas ensinam e aprendem; pessoas mais jovens também.
Por onde começar?
Antes de assumir um compromisso, vale pensar:
• Que causa desperta meu interesse?
• O que gostaria de compartilhar — e de aprender?
• Quanto tempo posso oferecer com tranquilidade?
• Que condições preciso para participar bem?
Conversar com a organização e conhecer sua rotina ajuda a construir um compromisso possível para ambos.
Ser voluntário é uma escolha. Descansar, conviver, estudar ou dedicar-se a projetos pessoais também são caminhos legítimos.
O valor de uma pessoa não depende de quanto ela produz. Quando existe vontade de contribuir, porém, sua experiência merece encontrar portas abertas.
Para aprofundar
Morgan, Thomas; Elder, Sara. Volunteer work among older persons: Trends and policy implications for ageing societies. Voluntários das Nações Unidas e Organização Internacional do Trabalho, 2025. Texto em inglês.

Texto com ajuda de pesquisa por IA.