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Quase um em cada três lares brasileiros tem um 60+ no comando

Subtítulo sugerido: O que os novos dados da PNAD dizem sobre trabalho, renda e família depois dos 60 — e por que a velha ideia de “aposentado dependente” não se sustenta mais.
Quando comecei a trabalhar com o tema aposentadoria, em 1984, a imagem dominante era a de alguém que “saía de cena”: deixava o trabalho, passava a viver da renda que lhe cabia e, aos poucos, ia sendo cuidado pela família. Os números divulgados neste ano mostram um retrato bem diferente.
Um levantamento da Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados, feito sobre os microdados da PNAD Contínua do IBGE entre 2015 e 2025, indica que pessoas com 60 anos ou mais são as responsáveis por cerca de 21,6 milhões de domicílios no Brasil — aproximadamente 32% do total. Quase um em cada três lares.
Chefiar a casa não é só “receber aposentadoria”
Vale um cuidado com as palavras. O estudo fala em pessoas 60+ que chefiam o domicílio — ou seja, que são reconhecidas como a pessoa de referência da casa. Isso não quer dizer, necessariamente, que sustentam sozinhas todos os moradores. Mas o levantamento acrescenta um dado revelador: em 87% das casas onde vive alguém com 60 anos ou mais, essa pessoa participa da decisão sobre as contas, seja como chefe, seja dividindo a gestão do orçamento.
E há outro detalhe que merece atenção: a maioria desses lares é chefiada por mulheres. Em 2025 eram cerca de 11,7 milhões de mulheres 60+ à frente da casa, contra 9,9 milhões de homens — e a diferença vem aumentando.
Mais gente trabalhando depois dos 60
O segundo bloco de dados fala diretamente ao tema deste site. Em 2025, 8,5 milhões de pessoas com 60 anos ou mais estavam ocupadas, cerca de 24% de toda essa faixa etária. Em dez anos, o número de trabalhadores 60+ cresceu em torno de 53%, bem acima do crescimento da própria população idosa e muito acima do crescimento do emprego entre os jovens no mesmo período.
Metade desses trabalhadores — cerca de 4,3 milhões — atua por conta própria ou como empregador. É o que as pesquisas chamam de empreendedorismo, embora a palavra às vezes esconda realidades bem distintas.
O copo meio cheio, meio vazio
Aqui está o ponto que considero mais importante para quem trabalha com pessoas, carreiras e envelhecimento. Dos empreendedores 60+, 72% trabalham sem CNPJ — algo próximo de 3,1 milhões de pessoas. A informalidade é alta e, em muitos casos, o trabalho depois dos 60 não é uma escolha de realização, mas uma necessidade de completar a renda da casa.
Ou seja, os mesmos números podem ser lidos de dois jeitos:
- O lado do copo cheio: pessoas chegando aos 60 com mais saúde, mais disposição e mais vontade de continuar produzindo, ocupando um lugar central na economia das famílias.
- O lado do copo vazio: gente que segura a casa — muitas vezes com filhos e netos — trabalhando sem proteção, sem contribuição previdenciária, sem rede de segurança para os anos seguintes.
As duas leituras são verdadeiras ao mesmo tempo. E é justamente por isso que não dá mais para tratar a aposentadoria como um ponto final.
O que isso pede de nós
Para as empresas e o RH, esses dados mostram que profissionais 60+ não são uma exceção a ser acomodada: são um contingente crescente, experiente e com responsabilidades familiares reais. Ambientes de trabalho amigáveis a todas as idades, com flexibilidade, ergonomia e oportunidades de aprendizagem, deixam de ser gentileza e passam a ser estratégia.
Para as políticas públicas, o desafio é facilitar a formalização de quem empreende por necessidade depois dos 60, para que esse trabalho não se transforme em desproteção mais adiante.
E para cada um de nós, fica a pergunta que venho fazendo há décadas a quem se aproxima da aposentadoria: qual é o seu projeto para essa próxima fase? Os números mostram que ela pode ser longa, ativa e decisiva — para a própria pessoa e para quem vive ao seu redor. Planejar essa etapa, com o mesmo cuidado que se planeja o início de uma carreira, nunca foi tão necessário.
Fontes
- Nexus Pesquisa e Inteligência de Dados — levantamento “Geração 60+: Moradia e Arranjos Familiares”, com base na PNAD Contínua/IBGE (2015–2025), divulgado pelo portal Viva: https://viva.com.br/dinheiro/exclusivo-geracao-60-chefia-216-milhoes-de-lares-e-lidera-renda-no-pais.html
- A Tarde — “Pessoas +60 anos já chefiam quase 1 em cada 3 lares, diz levantamento”: https://atarde.com.br/brasil/pessoas-60-anos-ja-chefiam-quase-1-em-cada-3-lares-diz-levantamento-1401889
- Agência Brasil, via Diario de Pernambuco — “Ocupação de pessoas 60+ sobe 53% em 10 anos; ritmo supera o dos jovens” (11/06/2026): https://www.diariodepernambuco.com.br/brasil/2026/06/11716347-ocupacao-de-pessoas-60-sobe-53-em-10-anos-ritmo-supera-o-dos-jovens.html
Este post teve pesquisa e melhorias na redação com apoio de IA, com revisão e responsabilidade do autor.
Prof. Aguinaldo Neri — Senioridade




